A TV ou a Internet decidirá as Eleições de 2018?

A pergunta de 1 milhão de dólares para quem trabalha com comunicação não é quem será o próximo presidente do Brasil. E sim quem terá mais força de influência na decisão de voto do eleitor nestas eleições: a televisão ou a internet? Assim como ninguém ousaria cravar quais os dois candidatos irão para o segundo turno, especialistas de diferentes áreas não sabem ainda ao certo medir o tamanho do poder que os diferentes meios de comunicação terão neste pleito eleitoral.

Uma coisa é bastante óbvia. As eleições de 2018 serão as mais conectadas da história brasileira. São 147,3 milhões de brasileiros aptos a votar, número 3,14% superior ao das eleições de 2014. Desse universo de eleitores, em que 52,5% são mulheres e 47,5% homens, quantos estariam incluídos e conectados na rede de 127 milhões de usuários do Facebook e de 120 milhões de pessoas que utilizam o WhatsApp no país?

Em matéria da Agência Brasil, o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, que já trabalhou em mais de 90 eleições, sugere: “Tem se especulado que esse pleito possa vir a ser a primeira eleição onde a internet assuma papel protagonista”. Na mesma reportagem, Marco Ruben, estatístico e doutor em psicologia social, ressalta que na internet “a mensagem encaminhada, que consegue penetrar em grupos, é mais influente do que aquela que vem pela televisão”.

E ainda na matéria da Agência Brasil, Fábio Gouveia, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), diz que a atenção não está mais concentrada na televisão e que os usuários assumem papel de filtros disseminadores das mensagens dos candidatos nesta campanha.

Nesse cenário como fica a TV?  Quem ainda assiste? O horário eleitoral obrigatório entrou no ar no dia 31 de agosto.  Estariam os candidatos falando para quem? Pesquisa da CNI – Conferência Nacional da Indústria, publicada no dia 01 de agosto, diz que 62% dos entrevistados usam a TV para se informar sobre os candidatos à presidência, e dentro desse universo 25% só têm a TV como fonte de informação.

Em entrevista ao El País, Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, afirma que há uma superestimação do papel das redes sociais. “O Brasil tem 30 milhões de eleitores que não acessam a internet. E imagina que entre os que acessam, 1/3 não sabe anexar um arquivo, não são nativos digitais”, destaca Meirelles.  E vai além. Crava que o horário eleitoral terá papel fundamental para derreter e alavancar campanhas.

Só o tempo, de campanha em TV, dirá quem se sairá melhor? A BBC Brasil, em matéria discutindo a força da propaganda eleitoral na televisão, lembra que, em 1998, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito no primeiro turno com o empurrão dos quase 12 minutos que tinha direito, contra os 5 minutos e 10 segundos de Lula. Já em 2002, mesmo com o dobro do tempo em relação a Lula, José Serra sucumbiu. Eram outros tempos, de parca influência das redes sociais.

Hoje, Alckmin tem a maior fatia do horário eleitoral destinado aos presidenciáveis, 44% do tempo, e não vem bem nas pesquisas. Em contraposição, Bolsonaro, que lidera a corrida, terá apenas 8 segundos de TV a cada bloco de 12 minutos e meio de propaganda. Na TV, o horário eleitoral para a disputa à presidência é dividido em dois blocos fixos de 12 minutos e meio, que vão ao ar às 13h e às 20h30.

Pablo Ortellado, pesquisador do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), falando à BBC Brasil, avalia com indefinição, procurando como nós pela resposta: “De um lado, um candidato com todos os recursos tradicionais de poder (tempo de TV, dinheiro do Fundo Eleitoral, alianças regionais), que é o Geraldo Alckmin. De outro, um que domina os ‘novos recursos’, como presença nas redes e militância online, que é o Bolsonaro. Como a gente nunca teve um cenário como esse, fica difícil prever o que acontecerá”. E entre esses polos estão todos os outros candidatos que também vão buscar nosso voto por todos os meios de comunicação possíveis.

Uma análise já é possível fazer, assistindo à campanha na TV. O público eleitor feminino, que representa mais da metade dos 147,3 milhões de eleitores, pode contribuir para decidir a eleição. E os candidatos já estão “atacando” esse eleitorado na TV. Conhecido por sua truculência, Bolsonaro, que lidera as pesquisas, tem tido exposto na propaganda eleitoral dos seus adversários, seus atos de extrema grosseria, alguns que beiram a violência contra as mulheres.

Isso vai funcionar para derreter sua imagem e liderança nas pesquisas? Ou é tudo o que ele mais deseja?  Ocupar o tempo precioso de TV dos seus adversários em horário nobre, que mesmo falando mal, estarão falando dele? Até agora, na internet a estratégia não funcionou. Com sua rede mais que fiel de seguidores e apoiadores, Bolsonaro não perde eleitores, mostram as pesquisas.  No dia 07 de outubro, saberemos a resposta. A TV terá força de mudar o rumo da eleição para presidente?

Rodrigo Pinto / Jornalista

f55819c6-7448-468f-b3b1-aa00613d9890

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: