As mudanças estruturais no jornalismo

O “fazer” jornalismo está diferente. As mudanças são nítidas, não é preciso ser um profissional da área para reconhecer essas novidades.

O jornalismo atual é marcado por inúmeros processos de convergência de mídias, entre eles celulares que transmitem programas de TV, assinaturas de revistas online, rádios ouvidas em sites de notícias ou aplicativos, instagram, facebook, twitter de grandes grupos de comunicação ou de jornalistas independentes – me refiro aos profissionais conceituados, que apuram o que propagam.

O antigo modelo, formado por jornais, revistas e emissoras de TV e rádio, deixou de ser o “centro” das atenções jornalísticas devido ao avanço acentuado da internet, em meados dos anos 90. Além dos densos e visíveis processos de propagação de notícias, o real “fazer” jornalismo está diferente e, em minha opinião, uma recém-formada, está em crise.

O papel do jornalista é questionado diariamente devido a esse cenário de mudanças e de inúmeras possibilidades de se fazer jornalismo. A apuração de uma informação vem perdendo espaço para a velocidade da internet. E muitas vezes, uma notícia é divulgada de “qualquer jeito”.

“Jornalistas de plantão” filmam um acontecimento e propagam a informação em suas redes sociais ou aplicativos de comunicação por mensagem, sem realmente terem informações concretas sobre o que aconteceu. O acesso às informações apuradas, penso, vem perdendo espaço no Brasil.

Há pouco tempo um fato chocou o país: as inúmeras demissões da maior editora de revistas do país, a Abril. Em um comunicado, a empresa alegou estar reformulando seu portfólio de marcas como parte do processo de reestruturação em curso na companhia. Afirmou também que 50 jornalistas foram demitidos e anunciou o fechamento de títulos como Arquitetura e Construção, Boa Forma, Casa Cláudia, Cosmopolitan, Nova, Elle e Minha Casa.  A empresa não oficializou mas, segundo fontes, 800 funcionários teriam sido desligados.

É assustador imaginar que a maior editora do país vive uma crise destas proporções e que inúmeras revistas renomadas, algumas com mais de 20 anos no mercado, deixaram de existir. Deixo aqui um questionamento: até quando o antigo modelo jornalístico vai sobreviver no Brasil?

Eduarda Manzoni / Jornalista

 

Máquina de escrever
crédito: Gazeta do Povo

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: