Eleger quem?

A poucos dias do 1º turno das eleições, cada um de nós ainda pode fazer uma pequena reflexão antes de decidir seu voto. Certa angústia paira no ar, com uma polarização desagradável e indesejável antes da hora.  Parece que o eleitorado não dá a mínima para os fatos e que desconhece totalmente a História como fonte de aprendizado, de evolução e de maturidade. A renovação tão apregoada do Congresso parece um conto de fadas e os mesmos de sempre serão reeleitos.

Para governador aqui em São Paulo, não vejo ninguém convicto a dizer “vou votar nesse ou naquele”. A escolha vem por exclusão pura e simples, e a decisão soa como um par ou impar em frente à urna. Os candidatos ao Senado não empolgam, e é difícil encontrar alguém que consiga dizer um nome, quanto mais os dois a serem votados. Para deputado, felizmente, conhecemos pessoalmente cidadãos de bem que querem fazer a diferença, mas serão capazes de obterem mais votos do que os políticos profissionais com suas custosas estruturas de reeleição pagas com o dinheiro dos impostos que saem do seu bolso? Difícil …

No cenário presidencial, a coisa se complica ainda mais. Se analisarmos friamente o Bolsonaro, fica complicado acreditar que 30% dos eleitores depositem confiança em alguém que já disse tudo o que ele falou em alto e bom som. E que de piada de mau gosto transformou-se em opção real para presidência. Assim, só me resta concluir que o Bolsonaro tornou-se muito maior do que é: de alguma maneira, passou a representar a insatisfação generalizada, o desejo de mudança, o repúdio à corrupção, a vontade de reprimir a violência e o receio de ver a esquerda novamente no poder.

Agora, o Haddad estar no 2º turno também escancara um assustador e generalizado nível de ignorância do eleitorado. Como assim? Não é ele o representante de um grupo que governou o país por mais de 14 anos legando a nossa maior crise econômica? Por pura incompetência e cegueira ideológica? Tudo às custas de um populista encarcerado por corrupção que surfou na onda das commodities em seus dois primeiros mandatos, aparelhou o que podia no Estado, incentivou o consumo irresponsável e elegeu uma incapaz?

Enfim, a sabedoria popular, que parece ser tão sábia a ponto de entortar a lógica, driblar o bom senso, reescrever o passado e sobrepujar a racionalidade, vai nos empurrando goela abaixo a opção de elegermos Bolsonaro ou Haddad no 2º turno. Que assim seja! Por algum motivo, Alckmin, Ciro, Marina, Amoedo, Meireles e Álvaro Dias não sensibilizaram ou não empolgaram . Por que?

Será que se comunicaram mal? Bolsonaro, sem tempo de TV, está chegando lá, com a ajuda decisiva das mídias sociais. Será que sem a facada sua candidatura teria derretido? Nunca saberemos …  Haddad, candidato assumido somente na metade de 2º tempo, mostrou a força que Lula ainda emana, mesmo de dentro da cadeia. Bastou ao PT comunicar, pela TV, rádio, mídias sociais e através da estrutura capilarizada do partido, que o “Andrade” é o candidato do Lula. Logo ele saltou dos 6% para mais de 20% nas pesquisas.

Eleição é muito mais do que comunicação, ou Alckmin não estaria ainda patinando às vésperas do pleito com todo o seu tempo de TV e recursos de campanha.  Vivemos um momento delicado na trajetória do Brasil, uma democracia ainda em construção e cravejada de defeitos. Somos a sociedade dos privilégios, da política atrasada que não nos representa, da falta de consciência e de apreço com o bem comum, da desinformação inundada de notícias fakes e frívolas, do desconhecimento e do desinteresse sobre o que importa, da indignação e da falta de vergonha, da desigualdade e injustiça, da insegurança e da Educação que não educa.

A boa notícia é que temos muito trabalho pela frente para consertar tudo isso. E a correção de rota só se dará pela política, ou alguém ainda acredita em revolução e violência como estratégia de mudança? Você estaria disposto a pegar em armas e apostar na reconstrução sobre a terra arrasada?

Bem, a eleição está chegando, um excelente momento para fazer aquela pequena reflexão citada na abertura desse texto e apontar qual rumo tomar … Já sabe mesmo quem eleger?

Gustavo Junqueira / Jornalista

Democracia Fonte rankBrasil.com.br
Crédito: http://www.rankbrasil.com.br

 

 

 

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