Desafios para um porta-voz

Conceder entrevistas, entrar ao vivo na programação, responder a perguntas pessoalmente, pelo telefone, e-mail ou whatsapp, ou mesmo falar em público e discursar. Quem representa marcas importantes , lidera organizações ou é especialista em alguma área do conhecimento fatalmente terá diferentes oportunidades para prestar informações a jornalistas e se ver em jornais, na TV ou na internet comentando fatos, esclarecendo dúvidas, defendendo causas, divulgando ideias ou administrando crises.

Por isso, o Media Training, ou treinamento de porta-voz, representa um recurso útil e importante para executivos, políticos e artistas, entre outros.  A inciativa não visa censurar conteúdo ou maquiar fatos, mas sim dar organização, sentido e forma ao que se tem a dizer e quando. Vivemos num mundo da comunicação, no qual cada pessoa possui hoje uma plataforma própria para se apresentar e enviar mensagens pelas mídias sociais, mas refletir sobre essa condição e encontrar a melhor maneira de falar com seus públicos de interesse é essencial para ser ter sucesso ou uma imagem positiva.

Até há alguns anos, treinávamos executivos de empresas a serem entrevistados por jornalistas de rádio, TV, jornais e revistas. Era mais fácil definir os cenários e as ocasiões, como as coletivas de imprensa. O porta-voz, após preparação e simulação de perguntas por parte de sua assessoria, recebia instruções tais como responder o que de fato era perguntado, estar bem apresentado e penteado, ser pontual, olhar para o interlocutor e não para o vazio, falar de forma didática e com uma tonalidade de voz agradável e assertiva, não tratar o jornalista como amigo divulgador de notícias positivas e sim como profissional independente, e por aí vai.

Estas orientações, em boa parte, continuam valendo. Principalmente atributos como ética, bom senso, calma, atenção, foco, credibilidade e clareza de ideias. Mas com o advento das mídias sociais, um ingrediente de complexidade foi adicionado ao processo. Uma certa etiqueta, ainda em construção, e cuidados especiais passaram a ser essenciais também para interagir com internautas, influenciadores digitais, blogueiros, integrantes de grupos de whatsapp e afins.

Estamos finalizando uma campanha política na qual as mídias sóciais mostraram sua força em relação aos meios convencionais, como rádio, TV e jornal. O próprio jornalismo vive seus desafios, como ser sustentável do ponto de vista financeiro e referência na descrição e acompanhamento dos fatos diante das fake news, tão avassaladoras nos últimos tempos e cujos efeitos ainda tentamos entender.

Claro, continuar a ser efetivo e certeiro numa entrevista para um jornalista do Estadão, Folha ou Valor, Veja ou Exame, Globo, Band, Record ou SBT, representa algo essencial para um porta-voz de uma grande empresa ou instituição. Mas ele precisa também entender o novo contexto relacional e agir de forma coerente neste universo da comunicação que nos ronda 24 horas por dia, tanto do ponto de vista pessoal quanto institucional. Fácil não é, mas representa um filão instigante para quem se propõe a investigar e aplicar media trainings mais atualizados no mercado.

Gustavo Junqueira Jr. |  Jornalista

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