Você já assistiu aquele documentário?

Sabe uma coisa que me hipnotiza? Filmes documentários. O tom de voz da narração, o ritmo das edições, o enquadramento dos entrevistados, não sei bem dizer o que me atrai e me segura diante da tela. Não é a famigerada verdade, imparcialidade ou qualquer outra coisa que faça um elogio à verossimilhança. Gosto mesmo do documentário como um gênero do cinema e daquele jornalismo que quer muito nos contar uma história.

Sempre nas rodas de conversa quando surge o tema Netflix, aquele papo de o que você está assistindo, me indica uma série, eu fico boiando. Mas, quando abre um espacinho, vou logo indicando documentários. Os de música, assunto ao qual dedico muito meu tempo, são vários e muito bons disponíveis.  Esse pode ser  momento bacana pra falar sobre o que assistir, não? Final de ano chegando, vacância à vista. Dá pra divertir bastante, se informar ao mesmo tempo, e também experimentar e conhecer visões diferentes de mundo sobre temas próximos e bem distantes da gente.

Eu gosto mesmo, especialmente, quando o documentário tem um viés ensaísta. Aquela liberdade de, a partir de um tema, ir abrindo portas pra rumos inesperados. Um bom exemplo é Eis os Delírios do Mundo Conectado (LO and Behold), do grande diretor de cinema Werner Herzog, que há um tempo virou um documentarista de mão cheia. Ele toma como pressuposto falar dos primórdios da internet e sua evolução, passando por pesquisas com robótica e carros autônomos até projetos de habitar Marte. Esse seria um bom resumo do filme, mas tem muito mais ali, nas reflexões que ele desencadeia. Deve ser isso que me fascina, o documentário que diverte e surpreende enquanto nos ensina alguma coisa.

Na grade da Netflix desde 2016, mas sem perder nenhuma gota de atualidade, eu pararia tudo pra ver novamente Melhores Inimigos (Best of Enemies), documentário que conta a evolução da TV e comunicação norte-americana e das guerras culturais e polarizações ideológicas focando em um episódio que marcou a mídia dos EUA em 1968. Durante 11 noites, os intelectuais Willian F. Buckley Jr. (representante da direita) e Gore Vidal (da esquerda) comentaram ao vivo pela TV ABC as convenções dos partidos Democrata e Republicano para escolher os candidatos a presidente de 1968. Vi muito do nosso Brasil de agora olhando pra sociedade norte-americana de 50 anos atrás.

Mas a joia da coroa produzida pela Netflix é o combo Orson Welles que reúne o documentário Serei Amado Quando Morrer e o filme O Outro Lado do Vento. Vou me concentrar no primeiro, que fala do segundo. Explico. O documentário trata do filme inacabado deixado por Welles quando morreu em 1985. Longa que faz uma sátira ao novo cinema da Hollywood dos anos 70, e que foi finalizado com financiamento da Netflix, e lançado no último Festival de Veneza. Vou me arriscar a dizer que talvez não seja necessário assistir ao filme. Se tiver com pouco tempo, concentre-se no documentário. É uma aula de edição, ritmo, jogo com referências sobre a obra de Welles, fala dos tormentos da criação, do mundo do cinema e das artes, e de tantas outras coisas.

Dá pra ficar aqui horas e linhas falando sobre documentários, não? Listo alguns outros que me cativaram muito: A um Passo do Estrelado; George Harrison: Living in the Material World; Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução; Jon Didion: The Center Will Not Hold; Janis: Little Girl Blue; Whitney: Can I Be Me; I Called Him Morgan; Hired Gun. E vale elencar um que não é documentário, mas uma espécie de stand-up comedy, mas é outra coisa ao mesmo tempo: América Latina para Imbecis, com John Leguizamo.

Divirta-se!

Rodrigo Pinto / Jornalista e sócio da Conceito Comunicação

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