Reflexões a la Brumadinho …

– Chegamos ao final do mês de janeiro.
– 1/12: √.
– Será que 2019, o ano regido por marte (seja lá o que isso significa) será tão intenso quanto 2018?
– Janeiro de 2019 já foi muito intenso… (suspiro).

– Posse do novo Presidente.
– Cenário Político BEM movimentado.
– Ministros e suas falas polêmicas.
– Alvoroço nas redes sociais.
– Mercado econômico se movimentando, se animando e nos animando.
– Deputado que não assume por medo de morrer e muda de país.
– Mais alvoroço nas redes sociais.
– Davos, o discurso de seis minutos e o cancelamento de uma coletiva.
– Eu já disse alvoroço nas redes sociais?
– Planejamentos e reuniões.
– Eventos e rescaldos das confraternizações que não tiveram “tempo hábil” para acontecer em dezembro.
– Relatórios, calls e planilhas.
– Ansiedade, insônia e ainda é janeiro.
– (…)
– Brumadinho. (… silêncio, suspiro, consternação …) O mais triste e inimaginável cenário para o início de um ano que prometia ser diferente. Um ano que prometia ser melhor.
– Uma reprise infeliz e piorada de Mariana.

Há alguns dias só falamos sobre Brumadinho. Só pensamos sobre Brumadinho. Só sentimos Brumadinho.

Chegamos mesmo ao final do primeiro mês do ano da mudança?

***

Faço o exercício de me colocar no lugar de tantas famílias e não consigo dimensionar o sentimento. Respiro. Suspiro. Rezo. Sinto a dor de cada um que ainda anseia por notícias. Sigo, compulsivamente a distância, a penosa espera por INFORMAÇÃO. Sempre ela, a protagonista-chave de cenários de crise: IN-FOR-MA-ÇÃO.

Não dá para mensurar como os familiares a recebem. Ouvimos as queixas e as angústias de quem anseia por alguma notícia, seja ela qual for. O resto do mundo, assim como eu, acompanha as coberturas realizadas pelas incansáveis equipes de jornalismo, pelas publicações [em redes sociais] de conhecidos que não hesitaram em se voluntariar, e, por que não, pelas publicações de ilustres desconhecidos, como Pedro Aihara, o jovem porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Após sete dias, a informação vira confirmação de um cenário nunca desejado.

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***

Minha intensidade não me permite separar o pessoal do profissional. Sim. Sou 24 horas por dia, sete dias da semana uma canceriana-relações públicas. Impossível separar o ser humano do profissional, o profissional do ser humano. Me emocionei ao ouvir, após um dia intenso de trabalho, as primeiras falas… a confirmação do acidente.

Senti o peso nos ombros dos executivos e dos bombeiros nos meus ombros.

Procurei acompanhar toda a notícia que consegui em tempo real, através dos canais de notícias em aplicativos para o celular. Assisti a boa parte dos pronunciamentos televisionados na tela do meu companheiro mobile.

***

De todos os speakers que ouvi até o momento, incluindo os altos executivos da Vale, que tem cumprido seu papel muito bem diante do cenário desastroso – afinal de contas, foram preparados para falar com imprensa e grandes plateias -, é fato que aquele jovem porta-voz (que descobri ao começar a escrever esse texto que tem apenas vinte e poucos anos), sempre sereno ao se dirigir aos jornalistas, vem dando uma aula de media training e de como se comunicar em um cenário de crise.

Não fosse a tragédia e as dolorosas notícias que o tenente carrega, é quase um presente ouvir o porta-voz do Corpo de Bombeiros falar. Sempre objetivo, de fala direta e completa (com começo, meio e fim), não deixa de lado sua humanidade, seu respeito não apenas pelo cenário delicado, mas por todas as equipes envolvidas em uma operação tão delicada e trágica.

Aihara é um rosto que traduz muitos rostos. Sua postura e desenvoltura a cada pronunciamento ao vivo para algumas dezenas de jornalistas me lembra que a comunicação tem conceitos simples, mas nada simplórios.

Domínio do tema, verdade, naturalidade, raciocínio claro, completo e objetivo. Transparência. Boa articulação das palavras e dos relacionamentos. Alguns dos itens fundamentais para um porta-voz, figura essencial para as organizações. Seja para os bons momentos, seja para os momentos de crise.

Que Pedro é nato, isso todo o Brasil já percebeu. Que todo porta-voz pode ser treinado, isso também o Brasil pode ver nas coletivas da Vale. Que toda empresa precisa de um porta-voz bem treinado, isso o Brasil (re)aprendeu com Brumadinho.

Qualidades que o tornarão case de aulas de comunicação em momentos de crise. Um case que nenhum professor, por mais criativo, imaginou contar.

***

Marcela Barbin é canceriana com ascendente em capricórnio descobrindo os impactos de Marte como planeta regente de 2019, e Relações Públicas que escreve para viver, compreender e (se) entender (n)o mundo.

Nota: a imagem de Pedro Aihara em entrevista aos veículos de comunicação nesta publicação é reprodução da TV GLOBO. 

 

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