Reforma já, para todos!

Urgente e necessária, finalmente a Reforma da Previdência está de fato na ordem do dia, comentada diariamente na imprensa, nas redes sociais e nas rodas de conversa. Já passou da hora de corrigirmos as graves distorções de um dos mais vergonhosos sistemas de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos e afortunados, a Previdência brasileira.

Egoístas que somos, a primeira coisa que pensamos é como a reforma irá nos afetar: quantos anos a mais precisaremos trabalhar e contribuir para gozar do sonhado benefício. Poucos pensam nos filhos e netos, que poderiam ficar à míngua e desprotegidos de qualquer estrutura social digna e operante se não exigirmos do Congresso que discuta, aprimore (não estrague) e aprove essa bendita mudança do sistema previdenciário.

Alguns fingem desconhecer que hoje vivemos bem mais do que em meados do século passado. E que matematicamente não é sustentável se aposentar com menos de 60 anos e viver na sombra e água fresca até os 90 com a atual configuração das taxas de natalidade e expectativa de vida da população. Ou que as vantagens oferecidas no RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) para servidores públicos não são mais suportáveis ou equânimes. O déficit é simplesmente estrondoso e quem diz o contrário brinca com pólvora ou flerta descaradamente com a inconsequência.

Gostaria de ver partidos políticos, inclusive de oposição, atuando para fazer o projeto andar. Não se trata de uma reforma do Bolsonaro ou do Paulo Guedes, mas do Brasil, e deve sim ter a chancela de deputados e senadores, que podem assumir também parte da paternidade do projeto e, aqui e ali, corrigir injustiças. Uma delas, tentar incluir militares no pacote, que não deveriam ser tratados em separado – por que a distinção? Seriam eles mais brasileiros que os brasileiros?

Precisamos ficar de olho na pressão das corporações, insatisfeitas em perder privilégios hoje inaceitáveis se comparados com as condições que mais de 90% dos brasileiros enfrentam ao se aposentar. E uma regra: dá mais quem tem mais para dar. A “gordura” dos mais pobres, na cidade e no campo, é escassa, embora também tenham que oferecer um pouco mais de anos de trabalho ou contribuição para deixar o sistema sustentável.

Parece improvável e até patético, mas apreciaria ver manifestantes na Esplanada dos Ministérios em Brasília protestando e exigindo a Reforma da Previdência. Ora bolas, se querem emprego e segurança, Educação e Saúde de nível mais elevado, juros mais baixos, inflação controlada e um ambiente de trabalho mais favorável, que gritem pela reforma ampla, geral e irrestrita. Façam pressão no Congresso e nas redes sociais, não para garantir um benefício individual ou corporativista, mas o de todos.

E por que não para que certos “direitos adquiridos” – adquiridos para quem, cara-pálida? – sejam questionados e revistos já que ofendem o senso de justiça num país tão desigual, no qual crianças morrem de fome enquanto viúvas, ainda jovens, se locupletam em pensões faraônicas recebidas de magistrados que acumularam gratificações, mas que não contribuíram nem para a décima parte do benefício ora em usufruto pela “herdeira” que ainda poderá viver por décadas?

Deixando as ideologias baratas de lado, o Brasil merece a chance de estancar essa sangria do déficit e da dívida pública. Municípios e Estados já quebrados e sem capacidade de investir ou mesmo honrar compromissos como pagamento de aposentadorias, assim como o governo federal que patina gastando mais do que arrecada, estão próximos de uma crise que vai fazer a última e recente recessão  parecer brincadeira.

Caso a reforma não vingue e essa crise mostre seus temíveis dentes afiados, há sim o risco do indigesto retorno da hiperinflação dos anos 80, o que seria a consequência mais suave ou remédio amargo inevitável para um Estado-paquiderme e virtualmente falido. Bem ao nosso lado, na Venezuela, estamos presenciando como a irresponsabilidade e o mau-caratismo podem devastar um país. Aqui, com uma reforma da Previdência de verdade aprovada, abrindo as portas para outras mudanças que urgem, haverá sim um futuro para você chamar de seu.

Gustavo Junqueira Jr / Jornalista

Reforma da Previdência

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