Relações públicas, a vida moderna e outros imbróglios

No próximo dia 13 de maio de 2019 completo 10 anos de Conceito.

[respiração bem longa]

Uma década de comunicação na veia.

Inevitavelmente (como uma boa canceriana que sou) um filme segue em um incessante looping em minha mente desde que me dei conta que essa data estava chegando. Afinal de contas, parafraseando Shakespeare, entre o céu e a terra tem [fé, religião, astrologia, tarô, baralho cigano e] muito mais coisas do que nossa vã filosofia é capaz de explicar.

Sendo totalmente sincera e transparente com você, leitor do @Conceituando, quando escolhi a comunicação, não sabia ao certo o que me esperava. Como poderia, se nasci em uma família toda dedicada à saúde? Entre a medicina, a enfermagem e a odontologia, as relações públicas surgiram quase que por um acaso.

Eu não possuía nenhum talento para os números, definitivamente. E eu precisaria deles para as opções de exatas e biológicas. Paralelo a isso, sempre me disseram que eu levava jeito com gente e tinha algum outro jeito com as palavras (alguns dizem ser genético).

Entre o primeiro vestibular e o ingresso na universidade, estive quase na psicologia.

Minha memória não é das melhores, mas diz minha mãe que o teste vocacional foi inconclusivo.

[OI, produção! Como uma pessoa pode ter um teste vocacional inconclusivo?]

Me lembro (vagamente) de abrir o manual e ler sobre todas as opções da área de humanas, já que o talento para os números não me pertencia. Me deparei com algo do tipo:

“O bacharel em Relações Públicas (RP) promove a boa imagem de empresas ou instituições junto a seus públicos. Para isso, define estratégias e executa projetos de comunicação, transmitindo os valores, objetivos e as ações da organização. Seu trabalho se volta tanto para o público externo (clientes, fornecedores e agentes do governo) quanto para o interno (funcionários). Organiza programas de integração com a comunidade e atividades promocionais. Costuma atuar em equipes formadas por administradores, profissionais de marketing e jornalistas” (versão atual do guia do estudante da Abril, que hoje conta com um vídeo com um depoimento de uma profissional)”

Não sei ao certo o que nesta descrição me chamou a atenção. Tenho comigo que foram esses tais públicos, que para mim são definidos, no português de todo dia, como ‘essas gentes de todos os tipos e todas as fés que nos inspiram’.

Devo ter pensado:

Levo jeito com gente.

Relações públicas lida com públicos.

Públicos = gente.

Deu match!

Imagino que foi assim que cheguei à universidade. Foram quatro incríveis anos entre Bauru e Ribeirão Preto. Com o diploma na mão, ao contrário de quase todos que eu conhecia, voltei para Ribeirão Preto, ao invés de ir para São Paulo. Bati à porta da Conceito, meu único currículo enviado. E plaft! Dez anos se passaram e cá estou eu compartilhando com vocês essas memórias!

Desde a primeira quarta-feira de trabalho (sim, me lembro do dia da semana, da roupa que eu usava e do frio na barriga que tive) até hoje, não há um dia igual ao outro. E como poderiam ser iguais?

  • Do jornal impresso às notícias nas redes sociais;
  • Do jornalismo de credibilidade aos [malditos] proliferadores de fakenews;
  • Do Orkut ao Facebook;
  • Dos fotologs ao Instagram;
  • Do MSN ao Whatsapp;
  • Do V3 da Motorola para o Blackberry;
  • Do 2G para o 4G;
  • Do Blackberry para o Iphone;
  • Do Snapchat aos Stories – e o aprendizado de que, se o Facebook quiser comprar a sua empresa, venda-a! Ou ele irá te fazer cair no esquecimento;  
  • Do clipping, cada vez mais precioso no papel, aos portais, agências e broadcasts;
  • Dos Formadores de Opinião aos Influenciadores Digitais;
  • Do publieditorial ao branded content;
  • Da crise de imprensa à crise nas redes sociais.

Isso é apenas um breve resumo do que vimos acontecer nos últimos 10 anos. Pode ser muito, pode ser pouco. Depende do referencial… [aquele da aula de física].

– E a comunicação, Marcela?

– Te respondo: A comunicação, nesse imbróglio todo, se torna cada vez mais vital para as empresas.

Mudam os meios, mas a essência segue a mesma: baseada no conteúdo de qualidade e fundamentado em algo que frequentemente é subestimado: o relacionamento.

E acredite. A base de tudo acaba sufocada pelo relógio que parece ter cada vez menos horas por dia. Alguns atribuem a sensação ao excesso de informação que recebemos diariamente. [Sugestão de leitura: http://bit.ly/2W4R4LB ].

E em um tempo cada vez mais efêmero, tornar-se relevante é o grande desafio das marcas. As pessoas consomem aquilo que elas conhecem. Consomem valores com os quais se identificam. Consomem a coerência entre as narrativas publicitárias, sejam elas on-lines ou off-lines, e a vida real. Consomem atitudes e não apenas palavras.

E é entre esse breve espaço de um inspirar e espirar que vejo os desafios dos profissionais do mercado de comunicação, sejam relações públicas, jornalistas, publicitários, administradores, marketeros: ser relevante em um mundo de fakenews, de credibilidade questionada a todo minuto, onde todos ganharam voz e o mercado transformou-se em um incerto repleto de certezas.

A comunicação e as relações públicas se transformam a passos largos, assim como o mundo. E eu me transformo com elas ou pelo menos tento. Sempre lutando contra a inércia (oi, física!) de fazer mais do mesmo. Sempre revisitando a essência que me trouxe até aqui: a de gostar de “gentes”. De todas as fés, de todas as crenças e de muitas histórias.

*****

Marcela Barbin é a Marcela, da Conceito Comunicação, há 10 anos. É relações públicas formada ainda na era off-line, aprendendo diariamente a viver no mundo cada vez mais on-line.

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