O Flipper e o tanque

Flipper era o nome de nosso vira-lata. Viveu conosco cerca de 18 anos e sempre foi conhecido como um cãozinho “encardido”. Não porque gostava de brincar na terra e ficar sujo, mas pelo seu humor nada amistoso. Era de poucos amigos.  Deixou saudades. Um episódio marcante de sua história, envolvendo meu sogro, me veio à memória nestes momentos de bate-boca de políticos e autoridades pelas mídias sociais e pela imprensa. Sei lá…

O Flipper gostava muito de ficar debaixo do tanque na lavanderia, era sua toca, seu cantinho preferido. E, para sair de lá, só quando ele tivesse vontade. Não adiantava chamar e nem oferecer agradinhos. O fato é que ele dormia fora de casa, portanto fora do tanque.

Em uma ocasião, enquanto viajava, meu sogro ficou responsável por cuidar de nossa casa e dele… e o cãozinho, assim que pode, entrou na lavanderia e se enfiou debaixo do tanque. Por nada ele saia de lá para meu sogro poder fechar a casa e ir embora … Rosnava sem qualquer empatia ou espírito de solidariedade. Foi quando meu sogro, usando toda sua astúcia, foi na calçada e tocou a campainha da casa… Bingo! Flipper saiu correndo para encrencar com o provável visitante e… foi fechado para fora de casa, longe de seu tanque.

Essa estratégia de mudar o foco da atenção é muito usada também por pais e educadores inteligentes quando querem que uma criança pequena pare de fazer algo que lhe pareça inadequado. Ao invés de ficar falando para a criança parar, direcione sua atenção para outro atrativo qualquer, de preferência mais sedutor e com um jeitinho de “proibido”.

O que assistimos neste jogo de bate-boca entre políticos, conversas que beiram à falta de educação e um tom de baixaria, que parte da imprensa corre atrás e gera aquela audiência para fatos irrelevantes, nada mais é do que tocar a campainha para distrair o “Flipper” da opinião pública de bom senso.

A estratégia é antiga, às vezes o que está sendo disfarçado ou escondido é tão explícito, fica tão claro que muitas histórias são apenas manobras de desvio de atenção. Mas as distrações são irresistíveis, tão mais fáceis de digerir que optamos por elas, sejamos nós leitores ingênuos, opinião pública consciente…

A conclusão dessa história deixo para que cada um faça a sua…

Sonia Maggiotto / Relações Públicas e diretora da Conceito Comunicação

 

 

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