Será que sofremos de Nomofobia?

O IBOPE Conecta perguntou ao brasileiro quanto tempo ele consegue ficar sem usar seu smartphone. A resposta impressiona. Mais da metade dos entrevistados pela pesquisa, 52%, respondem que não ficam um dia inteiro longe do aparelho.

Entre os que conseguem permanecer um pouco sem o contato com o celular, 8% disseram que suportam no máximo uma hora, 11% afirmam que ficam entre 2 e 3 horas, outros 11% até 6 horas, 7% até 12 horas, e há aqueles 15% que garantem não imaginar a possibilidade de ficar sem o celular em momento algum.

No final do ano passado, a revista Você S/A publicou uma matéria extensa sobre como o vício em celular pode afetar a produtividade de profissionais. A reportagem destacou o nervosismo, a insônia e falta de foco entre os males que podem ser causados pelo uso excessivo dos smartphone.

A matéria fala de um estudo conduzido pela Universidade de Seul que identificou em dependentes digitais a presença de níveis menores do glutamato-glutamina (série de eventos mentais responsável por energizar os neurônios) e níveis mais altos de Gaba, neurotransmissor que inibe os neurônios.

A pesquisa do IBOPE Conecta também perguntou se o celular afetaria negativamente a vida dos entrevistados. 27% dos entrevistados se mostraram conscientes dessa realidade e responderam que sim. Na hora de dormir, sentem que o aparelho atrapalha o sono. E 23% afirmam que lidam com os efeitos da distração, causados pelo celular, para realizarem tarefas diárias.

Por que todos esses dados me interessaram e acredito que deveriam nos causar algum alarme? Perdi meu celular recentemente. Fiquei três dias sem acessar aplicativos como o WhatsApp e sem poder trocar mensagens via Instagram. Senti uma espécie de mal-estar, que foi do pânico inicial pela perda até uma certa sensação de angústia. Mas por que, mesmo sabendo que tudo estava bem?  E me perguntei: será que minha relação com o celular e a dependência digital estão saudáveis?

Foi então que descobri que existe até uma fobia já cunhada para essa sensação, a Nomofobia. Nome originado a partir da junção da abreviação do inglês de “no-mobilephone-phobia”. Para alguns uma fobia que é originada a partir de um vício e que pode se transformar numa doença, em depressão, a Nomofobia se caracteriza pelo desconforto, angústia, irritabilidade e outras sensações ruins que sentimos quando estamos longe e impedidos de usar o celular.

Perder um smartphone devia causar na gente apenas o prejuízo financeiro, diante dos valores astronômicos dos aparelhos no país, e algum aborrecimento pra resolver a situação. Não mais que isso. Pânico e angústia suficientes já nos causam o fluxo diário de notícias e informações às quais estamos conectados. Ficar longe um pouco do celular deveria nos causar uma sensação de relaxamento e até tranquilidade. Claro que é impossível negar os benefícios da tecnologia. Que saibamos usá-la com equilíbrio e saúde. Nomorefobia!

Rodrigo Pinto / Jornalista

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