Um pouco de Educação

Longe de ser um especialista no assunto, me arrisco aqui a escrever um pouco sobre o crucial tema da Educação. Seja por razões familiares, já que tenho uma irmã atuando como professora em escola municipal e um cunhado lecionando em universidade federal, seja por experiência profissional prestando serviços para instituições de ensino, acabei criando meu próprio diagnóstico da situação e consolidando a convicção pessoal da importância infinita da Educação como ferramenta essencial para a diminuição das desigualdades e ao desenvolvimento maiúsculo do Brasil.

Em tempos de ânimos exaltados, temos um governo e um ministro que valorizam o confronto e tratam a área com um viés ideológico exacerbado. Não há projeto educacional para a nação e, claro, falta dinheiro. As manifestações em defesa da Educação são legítimas e necessárias, mas pecam em um aspecto. Protestam contra o corte ou contingenciamento de verbas para as universidades e pedem mais recursos. Ok, mas de onde? Por que não reconhecem que o nosso maior gargalo econômico hoje é a Previdência e, sem equacionar o grave desequilíbrio existente, não haverá mesmo dindin. Então, as manifestações deveriam também exigir que a reforma venha logo e robusta. Afinal, Educação também é saber enxergar os fatos.

Por outro lado, a insensibilidade do ministro Weintraub ao lidar com o tema e sua predisposição para provocar ou tripudiar só levam a mais desentendimentos. Obviamente que ele precisa cuidar dos números e despesas, mas a pasta exige uma liturgia mais refinada. A impressão que nos chega é a de um ministério ainda perdido, com muita troca de comando em postos-chave, atritos diários entre seus integrantes e pouco propositivo. Estamos falando do futuro do Brasil e daquilo que mais pode influenciar as próximas gerações, a Educação, mas perde-se tempo com o que não é prioritário e as perspectivas, no longo prazo, assustam. Necessitamos sim de investimentos e mais escolas e professores de ensino básico. O superior já possui uma boa estrutura formada, mas ainda carece de verbas adicionais e de melhor eficiência na gestão pública.

Brasília está longe e, enquanto as coisas desandam por lá e, por consequência, em todo o ensino público do país, aqui perto acompanho experiências que dão esperança, mostram a parte cheia do copo e também emocionam. Uma delas vem sendo conduzida pela minha própria esposa e sócia junto a uma escola pública municipal de Ribeirão Preto. Há três meses, através de uma parceria voluntária, Sonia Maggiotto ministra aulas semanais de yoga para alunos de oito e nove anos de idade. O resultado, surpreendente, mostra como uma boa ideia e dedicação podem ajudar a empoderar crianças tornando-as mais conscientes de sua respiração, mais atentas às atividades propostas e mais completas por conhecer, mesmo que superficialmente, os pilares de uma tradição milenar renovadora e estimuladora do autoconhecimento.

Também aqui em Ribeirão Preto tenho apoiado uma escola particular que desenvolveu um sistema de ensino já premiado e reconhecido pelo MEC e que questiona o modelo tradicional de Educação, de separar as crianças e adolescentes por idade. Assim, a formação de salas de aula com alunos de distintas faixas etárias e prontidões cognitivas estimula um aprendizado mais realizador, dinâmico e interativo, com conteúdos apresentados de forma multidisciplinar, voltados ao acolhimento de variadas formas do pensar, e com o próprio aluno organizando e montando seus cadernos. Ouvir a educadora Adalgiza Balieiro relatar suas experiências e resultados alcançados propicia ao interlocutor sonhar com um país no qual a Educação molde cidadãos capazes de usufruir da vida de maneira mais plena.

E na vizinha São Carlos, me encanto com um projeto de minha irmã Ana Laura Junqueira, classificado entre os cinco finalistas do “Educador em Ação”, iniciativa da EPTV para premiar realizações de professores da rede pública municipal. Uma ideia simples: transformar, sem qualquer recurso financeiro disponível e colaborativamente, um espaço praticamente sem uso dentro de uma escola num ambiente acolhedor, onde agora os pequenos alunos podem brincar, aprender e desenvolver atividades pedagógicas relacionadas à sustentabilidade e ao relacionamento. E ver as imagens das criancinhas no gramado aproveitando o espaço revitalizado é recompensador.

Os desafios da Educação são complexos e instigantes. E nunca essa disciplina da convivência humana foi tão importante como agora, quando as sociedades se reinventam em ritmo galopante e precisam renovar seus sistemas de ensino e aprendizado contemplando inovação, tecnologia, cultura, tradição, ética, conhecimento e comportamento. Sem isso, nosso futuro fica manco desde já. Mais uma razão para aproveitarmos os pequenos exemplos de sucesso ao nosso redor e, a partir deles ou motivados por seus benefícios evidentes, construirmos as mudanças necessárias em escala nacional para visualizar o horizonte que desejamos como país.

Gustavo Junqueira / Jornalista

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