Perspectivas sucroenergéticas

Os principais temas, novidades e desafios relacionados ao segmento sucroenergético foram debatidos na semana que passou no sétimo Ethanol Summit, em São Paulo. Estive em todas as edições do evento bienal, provavelmente o principal do planeta para discutir a realidade e as perspectivas de um setor amplamente transversal, que impacta diretamente a vida humana em áreas como alimentação, energia e sustentabilidade, entre outras. Para quem mora numa região como a de Ribeirão Preto, referência na produção de cana, açúcar, etanol, energia e equipamentos, trago algumas boas notícias.

Com painéis simultâneos e renomados especialistas, fala-se de tudo no Ethanol Summit: potencialização da produtividade no campo, as inovações no processo industrial, os gargalos da logística, a cogeração de energia elétrica, as oportunidades e cenários globais, os entraves tributários, as ameaças políticas e o transporte em veículos híbridos. A sensação, desde a primeira edição do encontro em 2007, é que já deveríamos estar, como sociedade, muito mais adiantados na prática, mas a marcha dos acontecimentos freou transformações que poderiam ter levado o setor e o Brasil para um novo patamar de desenvolvimento.

Chorar mágoas passadas de pouco adianta, então valorizemos as novas possiblidades que surgem, sendo que a principal delas atende pelo nome de Renovabio. Em resumo, trata-se de um programa que dá previsibilidade para os produtores de biocombustíveis, ou seja, diminui o risco para quem investe sem saber se haveria mercado disponível, premiando aqueles mais sustentáveis que geram energia renovável e sequestram carbono da atmosfera. É um engenhoso sistema que envolve todas as partes da cadeia, da produção ao mercado financeiro e governo, e que se encontra em fase final de implementação. Tem tudo para dar certo e inaugurar um novo ciclo para a agroindústria canavieira brasileira.

O modelo do Renovabio, se consagrado internamente, poderia ser exportado para escala mundial, ampliando esse mercado em diferentes países que produzem cana e também precisam lidar com os gigantescos desafios de emissão de poluentes. A Ásia se mostra um continente sedento por etanol a ser misturado na gasolina. Países como China, Índia, Tailândia, Indonésia e Malásia já possuem mandatos para, no curto prazo, ter até 10% do biocombustível nos tanques de suas frotas, o que significaria a necessidade de fornecimento de muitos bilhões de litros de etanol por ano num curto espaço de tempo.

Em tempos de estagnação econômica, soa como música ouvir perspectivas que colocam Ribeirão Preto e o Brasil no eixo da solução dos problemas energéticos do mundo nas próximas décadas. Mas antes temos um extenso dever de casa a resolver, entre eles o tributário e o logístico. Nossa infraestrutura carente de ferrovias, estradas, dutos e portos preocupa e hoje inviabiliza um salto na escala de produção. Projetos e conhecimento para mudar essa triste realidade existem, e torná-los realidade seria um desdobramento exitoso do Renovabio e também de uma visão mais liberal dos nossos atuais governantes.

Todos esses esforços só fazem sentido dentro de uma lógica sustentável. Com a humanidade consumindo cada vez mais os recursos do Globo, a energia renovável e limpa extraída da cana representa um grande exemplo de solução para continuarmos a viver num meio ambiente amigável. E, principalmente, para legarmos às futuras gerações um planeta com a natureza ainda exuberante.

Nesse feriado prolongado de Corpus Christi, escrevo essas linhas da Praia de Itamambuca, no litoral de Ubatuba, imersa no escandaloso verde da Mata Atlântica, envolta por um mar paradisíaco, cercada por montanhas de incrível beleza e ladeada por rios limpos e cheios de vida. Acreditar num setor sucroenergético moderno, capaz de oferecer energia limpa, barata e renovável para o Brasil e países de todos os continentes, é acreditar também que poderemos deixar para nossos netos lugares ainda preservados e mágicos como Itamambuca.

Gustavo Junqueira / Jornalista

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