Terrorismo à espreita

Cada vez mais avesso a filmes de violência em que os tiros parecem ser os protagonistas, abri uma exceção, em razão do aspecto histórico, para assistir a “Atentado ao Hotel Taj Mahal”, dirigido por Anthony Maras e atualmente em cartaz nos cinemas. Baseado nos ataques terroristas a Mumbai, na Índia, em novembro de 2008, a película com o bom ator Dev Patel traz momentos de tensão e apreensão explicitando a total brutalidade e crueldade dos extremistas, que matam cerca de 160 pessoas comuns com disparos e explosões exibindo uma tranquilidade inquietante, tudo em nome de Alá.

A temática me fez refletir sobre o terrorismo, seus objetivos e impactos na sociedade, no exterior e também no Brasil. Sem muito esforço, podemos nos lembrar de episódios bastante emblemáticos nesse século, a começar com o 11 de setembro que ceifou quase 3 mil vidas em 2001 em Nova York. É atentado que não acaba mais! Em 2004, na Ossétia do Norte (Rússia), chechenos tomaram uma escola e lá se foram quase 300 mortos, sendo metade crianças. Em 2011, na Noruega, um extremista de direita liquidou mais de 75 pessoas, a maioria adolescentes numa colônia de férias. Eventos esportivos são sempre um alvo em potencial e um exemplo disso foi a Maratona de Boston, em 2013, com mais de 250 feridos em duas explosões de bomba.

Paris também é um atrativo local para cometer atrocidades. Em novembro de 2015 ataques múltiplos, com destaque para a carnificina na boate Bataclan, mataram mais de 130 pessoas. E o Brasil entrou na rota de atentados cometidos por desajustados sem causas muito claras. Em 2011, numa escola no Realengo, no Rio, um atirador eliminou friamente 12 estudantes até ser abatido por um policial antes que continuasse a matança. E, mais recentemente, em março desse ano, também numa escola, dessa vez em Suzano, dois jovens promoveram um tiroteio e usaram armas exóticas para acabar com a vida de cinco estudantes e duas funcionárias.

O terrorismo, concluímos, faz parte tanto do imaginário quanto da realidade, e todos nós estamos sujeitos a ele em viagens, escolas, museus, shoppings, eventos e nas ruas. E o pior, a qualquer momento e quando menos esperamos. E basta analisar a História e verificar como atos de terrorismo determinaram o rumo dos acontecimentos, como o início da I Guerra Mundial em razão do assassinato, em junho de 1914, do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro.

Do ponto de vista psicológico, o terror sempre existiu, existe e existirá. Pessoas ou grupos insatisfeitos com alguma condição invariavelmente se utilizam de atos extremos e violentos para externar seu inconformismo, tentar gerar mudança, chamar a atenção, fazer uma pretensa justiça com as próprias mãos e causar medo. Isso ocorre nas relações pessoais, na disputa pelo poder e na vontade de impor ao outro sua própria vontade, religião ou visão de mundo. O ser humano é complexo e usa todos os recursos possíveis para atingir seus objetivos.

Com o avanço civilizatório, algum consenso foi alcançado sobre o que é moral e lícito fazer no cotidiano, na política e mesmo na guerra. Matar inocentes, por exemplo, tornou-se algo bastante condenável. Tirar a vida de alguém, principalmente se esse alguém pouco tem a ver com a causa em disputa ou nenhuma responsabilidade por ela, é errado e ponto final. Merece todo nosso repúdio já que acaba com uma existência na Terra e gera tristeza e dor sem limite para familiares e amigos da vítima.

Mas o terror não pensa assim. Para ele, os fins justificam os meios acima de qualquer coisa. E para isso o extremismo usa a tecnologia, a criatividade e a crueldade com incrível destreza. Em “Atentado ao Hotel Taj Mahal”, os 10 matadores suicidas estão conectados por um ponto (fone de ouvido) e são literalmente dirigidos por um líder facínora, a distância, que vai dando ordens e orientações de como atirar, detonar granadas e dizimar pessoas como se fossem formigas. Literalmente desumano! O importante é superar os números, ou seja, eliminar o máximo de inocentes possíveis para dar maior visibilidade ao ato. As dezenas já são poucas, o que interessa agora é ultrapassar as centenas.

Infelizmente, teremos que lidar com essas situações ainda por muito tempo. Não há como impedir que alguém insano ou fanático destrua vidas alheias com armas, caminhões, aviões e muita perversidade. Sempre haverá uma causa, sempre haverá uma multidão a ser dizimada e azar de quem estiver no caminho desses seres ignóbeis. Nossa melhor resposta é a crença em valores construtivos e solidários, e tocarmos a vida sem medo, ao menos até o próximo atentado.

Gustavo Junqueira / Jornalista

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