Temas relevantes com algum consenso

Tenho discutido com amigos alguns temas que consideramos relevantes para nossa realidade, desde economia e política até comportamento, meio ambiente e cultura. A troca de ideias se dá basicamente por um grupo de whatsapp e, como esperado, há divergências e opiniões conflitantes, mas também consenso. Ao contrário do que acontece por aí na rede quando alguém discorda ou não gosta do que lê, não há ofensas. Não que eu avalie o xingamento algo ilegítimo, mas considero esse recurso demasiadamente reducionista embora até me divirta com a agressividade com que alguns leitores me avacalham nas mídias sociais pelo que escrevo nessa coluna.

Enfim, entre esses assuntos mais impactantes está a desigualdade social e os extremos de riqueza e pobreza. Primeiramente, sem entrar no mérito das causas ou soluções para o problema, podemos constatar que há miseráveis por toda a parte, seja em Ribeirão Preto, no Brasil ou na maioria esmagadora dos países, que essa realidade incomoda e que precisamos, como seres humanos dotados de moral e espírito de justiça, buscar saídas para esse cenário degradante. Essa avaliação, me parece, tem o consenso de quase todos, da esquerda à direita, excetuando-se possivelmente os muito insensíveis e brucutus. Havendo acordo nessa premissa, já é um início de diálogo.

A coisa pega no momento de avaliar como chegamos ao atual grau de desenvolvimento da sociedade e o que fazer para que tenhamos, na média, uma vida melhor para todos, com mais oportunidades, menos injustiças, mais dignidade e sem fome. À esquerda, apregoa-se um Estado mais forte e mais presente na economia, com sua mão forte atuando para fazer prevalecer o interesse coletivo com ênfase no social e numa maior liberdade de costumes. À direita, valoriza-se mais a meritocracia e a eficiência do mercado como melhor instrumento para promover o desenvolvimento de todos, além da crença na liberdade individual e numa menor tutela do Estado. Mais ao centro do espectro ideológico, essas premissas se misturam.

Existiria uma fórmula certeira, à direita, à esquerda ou ao centro, para fazer os países pobres e o mundo darem um salto evolutivo extinguindo a miséria num prazo de 20 anos? Tenho dúvidas, e também preferências no plano de ação, mas creio que partir para o debate afirmando que minhas posições são as únicas certas é um mau começo. Antes das respostas definitivas, se por acaso existirem, me encantam as perguntas e as dúvidas. Ao final, fazendo uma análise histórica, o que vale é o processo e as lições tiradas durante o mesmo, a teoria se ajustando à prática. O caminho para uma sociedade mais justa será mais longo e não viveremos para presenciar resultados mais visíveis. Mas, entendo que hoje estamos melhores e mais evoluídos do que no Renascimento, na Revolução Francesa ou na I Guerra Mundial.

Outro ponto que vem suscitando acaloradas discussões é o meio ambiente. Pesquisas e a ciência já trouxeram evidências muito sólidas, por exemplo, do aquecimento global causado pela ação humana. Tem gente que não acredita. Dialogar a partir dessa discordância mostra-se desafiador, mas não impossível. Pegue-se o caso atual das queimadas na Amazônia, que está bombando na imprensa, nas mídias sociais e nas mentes em todo o planeta. As responsabilidades e os interesses que giram em torno dessa questão são tão múltiplos e complexos que tornam algum consenso quase impossível, mas ele existe. Precisamos conter o fogo imediatamente, essa é a bandeira comum.

Vivemos tempos agitados nos quais bilhões de pessoas tendem a possuir opiniões enfáticas e diversas sobre quase tudo, anteriormente guardadas na cabeça e hoje enfaticamente externadas pelas internet. Bom ou ruim, não sei dizer, mas as consequências estão aí. Governos como os da Espanha e Itália não conseguem se estabelecer como antes diante de fragmentos pulverizados de pensamentos, tendências e ideologias. No Brasil, o governo tem 30% de apoio na sociedade e briga com os outros 70%. Na China, há pouco espaço para ser contra o governo, mas esse tem liderado um processo gigantesco de distribuição de riquezas.

Vamos em frente nessa marcha rumo ao desconhecido com cada vez mais confronto de ideias. Saber ouvir e ceder um pouco em temas cruciais e de interesse de todos será o segredo para ainda sermos capazes de formar algum consenso e, eventualmente, evoluirmos como sociedade e espécie.

Gustavo Junqueira / Jornalista

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